segunda-feira, 12 de abril de 2010

Despido

Faço por não sentir o frio no meu corpo, no entanto, o mesmo tarda a desaparecer. No meu recanto tento não o sentir, tento não me sentir nu, sem qualquer defesa para o combater.Lá fora raia o Sol, contudo, tudo me faz sentir-te. Tu que em dias e noites sem fio de Inverno insistes em aparecer, em afastar-nos do nosso caminho.
Caminhando te tento demover de tais intenções, tento ludibriar-te, por travessas e vielas, por caminhos e meios caminhos, sempre sem sucesso. Por mais que me esconda, me vista, teimas em despir-me e eu, um mero eu, acabo sem qualquer abrigo, rendendo-me perante ti. Jogando jogos de lógica contigo te tento convencer a não me despires, faço somas e multiplicações a todas a minhas peças de roupa de forma a combater-te, mas porque é que és sempre mais forte que eu?! Por mais que eu te tente fazer ver que

X+X = 2X,

tu fazes-me sempre admitir que também Y+Y = 2Y. E mais uma vez acabo despido, vou ficando sem qualquer protecção, sem qualquer peça de roupa que me proteja......de ti. Furiosamente fecho portas e janelas, acorro a ligar o aquecedor, mas tu fazes-te sentir, sem qualquer dificuldade lá estás tu, pronto a fazer o que melhor sabes...derrubar-me, fazer-me sentir um mero pião neste pequeno mundo que é o meu. Mundo meu do qual eu deveria ser o jogador de pião e não o mesmo.

Assim me sinto, despido e gelado.

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